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Rádio Oi Mossoró

Mulher é discriminada em loja da capital (SP) por causa da roupa que usava.

 

Ela postou o ocorrido no Facebook e obteve, como resposta, mais de 400 compartilhamentos e o e-mail da direção da loja pedindo desculpas.

Ao entrar em uma loja para comprar algum produto, o que todo cliente espera é ser bem atendido ou, no mínimo, atendido. Afinal, a pessoa está disposta a gastar o dinheiro dela no estabelecimento. No entanto, em algumas lojas da capital, a empreitada requer boa aparência e "cara de quem tem dinheiro" como requisito para o bom atendimento. Um destes casos aconteceu com a psicóloga Edinalva Borges, 36, nesse sábado (15), quando ela decidiu dar uma passadinha na loja Gregory, do BH Shopping, antes das compras no mercado, para comprar um short social.

"Quando entrei na loja, percebi que a vendedora me recepcionou desconfiada. Talvez por eu esta vestindo roupas mais simples e ter passado a imagem de uma consumidora de baixo poder aquisitivo. É verdade que eu não estava produzida, já que estava indo fazer comprar no supermercado. Mas também não estava com cara de mendiga. Eu queria comprar um short social, mas me informaram que não estava disponível. Pedi que a vendedora verificasse o produto nos estoques de outras lojas e ela disse que me passaria os números para que eu mesma ligasse", disse Edinalva.

Em seguida, a psicóloga contou que uma gerente da loja foi falar com a funcionária. "A vendedora falou com ela: essa loira quer os números dos telefones das outras lojas pra comprar um short. Ela disse isso com um sorriso sarcástico no canto da boca, e depois a gerente falou para a vendedora ir mandar a cliente procurar no Shopping Cidade, porque lá seria mais fácil encontrar o que procura", disse Edinalva. Ela voltou para a casa sem o produto que procurava, mas com muita indignação.

A psicóloga contou o que aconteceu no Facebook, e a postagem já conta com mais de 400 compartilhamentos e cerca de 350 curtidas, até o início da noite desta segunda (17).

O advogado especializado em direito do consumidor, Lucas Monteiro, explicou que o problema infelizmente é recorrente, e que o consumidor que se sentir discriminado pode entrar como uma ação para pedir indenização por danos morais. "Mas é necessário que se tenha uma prova, como uma testemunha", explicou. 

Uma das gerentes da loja Gregory, que atendeu a reportagem, negou o ocorrido e disse que já entrou em contato com a direção do estabelecimento para dar uma resposta à imprensa. Edinalva informou que recebeu o e-mail da direção da Gregory, de São Paulo, pedindo desculpas pelo episódio.

Outros casos

Edinalva não é a única que se sentiu lesada ou vítima de preconceito em uma loja da capital. O empresário Fernando Lima, 24, contou que já foi vítima de discriminação no mesmo shopping. "Eu estava lá, trajado como gosto de estar no final de semana, chinelo, bermuda, blusa e boné, e entrei em uma loja para olhar algumas peças mais formais. Fui até a parte da loja onde parece ser destinada a exposição dos produtos mais caros e marcas famosas, mas fui interpelado por um vendedor que disse que tinha ótimas opções em promoção. Expliquei para ele que estava procurando algo para os dias de trabalho e ele disse que as roupas que eu estava olhando eram bem caras e disse para irmos para outra seção que saberia que eu ia gostar. Isso foi por causa do jeito que eu estava vestido. Comprei um terno e cinco camisas na mão de outro vendedor", disse.

No Diamond Mall, shopping da região Centro-Sul da capital, a filósofa Ana Gabi Novais, 25, também passou por algo semelhante em uma loja de roupas. "Eu estava passando pelo shopping, procurando presente para a minha namorada na época. Ela tinha comentado sobre uma bota e eu fui ver o preço. Só que eu estava com uma camiseta de propaganda, chinelinho, short, enfim, roupa de ficar em casa. Nem ligo. Mas quando entrei na loja eu precisei praticamente implorar para que me atendessem, e fui muito mal atendida. Trataram-me com desdém. Fiquei indignada. Saí, esfriei a cabeça e voltei. Novamente, não me atenderam. Pedi o produto diretamente para a funcionária do caixa, e mandei passar no débito, linda e elegante. Na hora de sair, uma das atendentes, de olho na comissão, ainda quis levar minhas compras até a porta. É claro que eu não deixei. Em geral, as pessoas julgam muito as outras pelo que vestem. Usar roupas de marca, para essas pessoas, é sinal de riqueza", contou.

Ainda no Diamond, o cientista social Marcelo Bernardes, 27,  contou que foi ao local procurando por uma roupa. "Queria algo diferente, sem ter noção do que poderia encontrar. Estava de bermudas e chinelos e entrei em uma loja, onde ninguém me atendeu. Mas vi que todos os vendedores me olharam. Fiquei um bom tempo ali sendo observado e resolvi fazer um teste. Peguei a jaqueta mais bonita que eu vi. No mesmo momento me cercaram. Uma vendedora veio querendo saber o que eu desejava acompanhada de dois colegas. Perguntei o preço, ela foi seca na resposta. Devolvi o produto e os três ficaram me cercando até a porta da loja, quando fui embora. Foi um preconceito disfarçado, mas eu era nitidamente um estranho no lugar", lembra.

A publicitária Rosiane Pacheco, 39, conta que também já foi vítima desse tipo de discriminação, quando foi olhada da cabeça aos pés por uma vendedora de loja de roupas. Ela acredita que o boicote a essas lojas seria uma solução caso os consumidores aderissem. "É a melhor coisa a se fazer. Eu fiquei sabendo, por exemplo, que um grande clube da capital não deixa as babás entrarem na piscina. Eu não seria sócia de um lugar assim. Mas sabem, as pessoas querem é isso. É o estado de exceção. Eu sou melhor porque excluo, entende? Eu tenho o que as pessoas não podem ter. Esse é o luxo dessas pessoas, ter o que é excluído de alguns. Quem vai boicotar? As pessoas que essas lojas já querem que boicotem, como os feios, pobres e gordos?", disse.

Fonte: O Tempo / Juliana Baeta - PUBLICADO EM 17/02/14

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